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Jovem morto em ação policial fazia manobras com motos, reprimidas pela PM

Marcelo Oliveira/UOL

 O estudante Rogério Ferreira da Silva Júnior, 19, morto a tiros durante uma abordagem policial no Parque Bristol, na zona sul de São Paulo, era praticante do "bololô", lazer que consiste em fazer barulho com o escapamento e malabarismos com motocicletas. Segundo adeptos da cena, a atividade sofre intensa repressão policial na periferia da capital e são comuns agressões e danos às motos. Na tarde do último domingo, Dia dos Pais, não foi diferente. Era aniversário de Rogério, que pediu emprestada a moto nova do amigo Guilherme Porto, seu vizinho, para participar da brincadeira, quando a PM chegou à avenida dos Pedrosos, atrás do CEU Parque Bristol, e o derrubou da moto

Poderia ser mais uma abordagem "corriqueira" da polícia, mas o soldado da PM Guilherme Tadeu Giacomelli, 22, com seis meses de atividade nas ruas, atirou e disse ter se assustado com o adolescente durante a abordagem. Rogério morreu no pronto-socorro. Apesar de mortes, como a de Rogério, não serem comuns nas ações da PM contra os "bololôs", os "esculachos" (abordagens policiais com xingamentos e agressões) da Polícia Militar contra os praticantes das manobras são usuais. A derrubada de motos como parte da abordagem também

"Os PMs chegam 'esculachando' a molecada e derrubando moto. Muitos jovens acham normal apanhar da polícia desde que a moto não seja apreendida, mas não é normal. Se há infração de trânsito, tem que multar. Falta diálogo", conta o educador Marcelo Dias, que dirige a ONG Novos Herdeiros HumanísticosMarcelo Dias, preso injustamente por 6 meses em 2018, milita em ONG da zona sul de São Paulo que auxilia famílias vítimas da violência policial - Marcelo Oliveira/UOL - Marcelo Oliveira/UOL

A ONG atua na região e integra a Rede Protetora, um conjunto de organizações que promove os direitos humanos e denuncia casos de violência policial na região da zona sul conhecida como Fundão do Ipiranga, formada pelos bairros limítrofes com o ABC paulista. Dias foi vítima de brutalidade policial e acusado de tráfico de drogas sem provas. Passou seis meses preso com base no testemunho de policiais militares. Absolvido por falta de provas, hoje está 100% envolvido com a ONG e a defesa dos direitos humanos em sua comunidade. A instituição ajudou no apoio à família de Rogério e no protesto realizado ontem pelos organizadores do bololô do Bristol.

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